O planejamento ambiental à luz da ecologia da paisagem : estudo aplicado da zona de amortecimento do Parque da Cantareira .

A dissertação discute o tema do planejamento ambiental a partir do referencial da Ecologia da Paisagem e da Infraestrutura Verde. Para tanto, admite que os impactos da urbanização devem ser compatibilizados a um planejamento que considera os espaços livres a partir de sua multifuncionalidade - abarcando as questões de infraestrutura urbana, sociais, econômicas e ambientais. Diante deste contexto, a pesquisa sustenta que é preciso ter uma abordagem sistêmica, abrangente e transdisciplinar capaz de produzir uma análise diferencial entre conservar a biodiversidade, fornecer serviços ecossistêmicos e prover locais para habitação urbana. A pesquisa tem como objetivo relacionar os conteúdos dos campos disciplinares da Ecologia e Arquitetura da Paisagem no planejamento ambiental de um território não idealizado, visando a caracterização e conformação de uma rede de espaços livres urbanos. Para tanto, aplicam-se esses conceitos a uma investigação sobre como o planejamento ambiental pode contribuir à gestão da Zona de Amortecimento do Parque Estadual da Cantareira. As análises multivariadas contemplam a inserção social e ambiental do Parque, em específico, as áreas de conflito entre a ocupação urbana e a proteção jurídico administrativa dos recursos naturais. Verificou-se que a área apresenta alta diversidade de formas de relevo, muitas nascentes de rios, expressivas áreas ainda cobertas por vegetação em diversos estágios de sucessão, diferentes usos do solo e aspectos culturais e de lazer diversificados. O entorno do Parque é marcado por uma grande complexidade territorial que contribui para seu isolamento e fragmentação, sua face sul é circundada por áreas densamente ocupadas, pedreiras e aterros sanitários, enquanto a norte, por chácaras e zonas agrícolas. Após a contextualização, foram propostas diretrizes de planejamento ambiental para a rede de espaços livres, por meio de dispositivos de infraestrutura verde

A cidade de São Paulo, assim como diversas cidades do mundo, enfrenta hoje sérios desafios no manejo de seus recursos hídricos, efeitos do processo de urbanização e desenvolvimento urbano que não considera as potencialidades das bases biofísicas de suas paisagens naturais, dentre eles, o tratamento da poluição das águas urbanas. Na natureza, a vegetação e a água são indissociáveis, as plantas participam da regulação do ciclo hidrológico e da manutenção da qualidade das águas através de mecanismos naturais, reconhecidos como mecanismos de fitorremediação, além de estarem diretamente relacionadas ao fornecimento de outros serviços ambientais que sustentam a vida na biosfera. Infraestrutura Verde é um conceito de rede de paisagens multifuncionais que realizam o manejo das águas das chuvas na fonte, ao mesmo tempo em que proporcionam melhorado microclima, proteção da biodiversidade, áreas de lazer e contato com a natureza, proteção contra desastres e enchentes e tratamento da poluição sem, contudo, excluir o desenvolvimento urbano. Em Berlim, Alemanha, desde o final dos anos 1980, é realizado o tratamento das águas urbanas a partir de alternativas de Infraestrutura Verde em substituição às práticas convencionais, ao passo que, em São Paulo o uso de tais alternativas é bem mais recente, integrando o Plano Diretor de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais do município em 2010. Esta dissertação investiga o papel das plantas no tratamento das águas urbanas por tipologias de Infraestrutura Verde, sob o olhar da fitorremediação e identifica os critérios de seleção das espécies de plantas para projetos de Infraestrutura Verde na cidade de São Paulo, observando-se o estudo de caso do córrego Água Podre, bairro do Rio Pequeno, zona oeste do município.

Este estudo apresenta medidas de Infraestrutura Verde de aplicação in situ para o tratamento da qualidade da água do Córrego Água Podre, na região oeste da cidade de São Paulo. Parte de um exercício desenvolvido durante a disciplina Estúdio de Infraestrutura Verde do Programa de Pós-Graduação da FAU-USP.

Este artigo investiga a aplicação da fitorremediação em função de tipologias de Infraestrutura Verde (IV) em microbacias urbanas da cidade de São Paulo. Para esta investigação utilizou-se o reconhecimento das tipologias de Infraestrutura Verde para sua aplicação em uma microbacia densamente urbanizada da cidade, realizado no recente trabalho de Bonzi (2015). Este estudo é parte integrante de pesquisa mestrado em andamento que, em seus resultados preliminares, apresenta a tipologia biovaleta como sendo bastante indicada à tecnologia de fitorremediação. A fitorremediação é uma tecnologia emergente que utiliza os mecanismos naturais das plantas e suas interações com a microbiota associada para a degradação, contenção, imobilização e extração de poluentes orgânicos e inorgânicos, e pode ser aplicada para o tratamento da poluição das águas urbanas em função das tipologias paisagísticas e Infraestrutura Verde. A Infraestrutura Verde é uma rede de áreas paisagistacamente interconectadas que pode ser compreendida como uma ferramenta para o reconhecimento e aproveitamento de serviços ecossistêmicos no ambiente urbano. A IV tem sido considerada na literatura especializada como uma ferramenta capaz de atender às demandas das questões ambientais das cidades, especialmente no que diz respeito ao manejo quantitativo e qualitativo das águas.

Atualmente, a cidade de São Paulo enfrenta desafios ambientais no manejo de suas águas, como poluição dos corpos hídricos e graves eventos de enchentes. Entre as fontes de poluição das águas urbanas, destaca-se a poluição difusa carregada pelo escoamento superficial nos eventos de chuva. A infraestrutura verde é uma rede de áreas naturais e espaços abertos paisagisticamente tratados e interconectados, que ao incorporar tipologias paisagísticas de alto desempenho exerce funções infraestruturais ecológicas e oferece uma gama de serviços ecossistêmicos à cidades. As plantas desempenham diversas funções e tem papel importante no tratamento da poluição difusa a partir de mecanismos fitorremediadores. A fitorremediação é uma tecnologia emergente que age sobre contaminantes orgânicos e inorgânicos presentes no solo, sedimento, água superficial e subterrânea. No tratamento da poluição de rios e córregos urbanos a fitorremediação vêm sendo utilizada a partir de tipologias de wetlands construídos e ilhas fitorremediadoras. O presente estudo apresenta um levantamento preliminar do papel das plantas em tipologias de infraestrutura verde na despoluição de rios e córregos urbanos e algumas espécies fitorrremediadoras da flora nativa brasileira de ocorrência confirmada no Estado de São Paulo.

 

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